domingo, 29 de março de 2009

‘A paixão contra a razão’

Estas palavras, que intitularam um dos capítulo do discurso do presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal durante a Sessão de Abertura do VIII Congresso Leonino, resumem bem a indefinição que trespassa hoje pela consciência colectiva do nosso clube e o conflito interior que daí deriva quanto ao assumir do porvir: ceder à paixão ou à razão? Este é o sentimento dominante da grande maioria dos sportinguistas, e a luta permanente que, individualmente, cada um de nós assume entre o que pretende para o Sporting e aquilo que, constantemente, nos dizem que ‘tem que ser’. Como é óbvio esse sentimento teria que ‘contagiar’ o ambiente do Congresso. Uns a ter que reprimir os excessos de paixão, outros sem ‘travão de mão’ para os excessos da razão… Esta é a dicotomia que enfrentamos e que urge resolver.

A boa noticia, deste primeiro dia de Congresso, não advém do facto de, como seria expectável entre ‘leões’, os trabalhos terem decorrido, geralmente, com temperança; mas sim de terem contrariado a ideia do ‘beija-mão’ como Dias da Cunha, extemporaneamente, o quis caracterizar. Foi assim, na secção em que participei e das visitas rápidas efectuadas pelas outras salas pareceu-me reinar o mesmo clima. Na III.ª Secção, dedicada aos ‘Desafios do Ecletismo’, houve luta, por vezes debate aceso, um ou outro excesso que, no entanto, nunca entrou fora do âmbito da razoabilidade e que, bem vistas as coisas, não podiam deixar de acontecer quando se juntam numa sala várias dezenas de individualidades com diferentes sentimentos e mesmo perspectivas antagónicas do que deverá ser, neste caso, o ecletismo do Sporting.

Os grandes triunfadores da secção em que participei têm nomes. Um deles, incontornável, o do Prof. Mário Moniz Pereira que não só é, nitidamente, uma figura amada no Universo Leonino, como um Homem surpreendentemente (pelo menos para mim que não o conhecia pessoalmente) cheio de humor e um grande ‘contador de estórias’ como ele próprio gosta de se descrever. É um prazer ouvir o Prof. e partilhar com ele algumas horas de discussão (no bom sentido) sobre o Sporting. Não fosse o seu saber, querer e experiência e, fica a sensação, de que o atletismo do SCP talvez não sobrevivesse à crise que parece afectar outras modalidades… Por falar em modalidades, está na hora de revelar, aquele que para mim, triunfou em toda a linha, o Eng.º Gilberto Borges, responsável pela ‘ressurreição’ do Hóquei em Patins. Actualmente, o Hóquei, é uma das oito modalidades autónomas do SCP, vocacionada apenas para a formação e cujo apoio exclusivo do clube passa pelo fornecimento das camisolas! Este grande sportinguista conseguiu delinear um plano bem sucedido, que teve a sua génese há seis anos atrás, e que com muito esforço, dedicação e devoção de toda uma equipa por ele liderada, já atingiu a glória: dois títulos para a formação, vários hoquistas a representarem a selecção nacional de juniores e juvenis com 40% e 30% do total dos atletas convocados, respectivamente. O passo seguinte, que também já estava programado, é a assumpção do Hóquei em patins como modalidade OFICIAL do Sporting, competindo em séniores a partir da próxima época desportiva recorrendo aos hoquistas formados neste projecto. Depois de hoje, e com a recomendação para a reactivação desta modalidade aprovada na Secção por larga maioria e aclamação, tudo leva a crer que a melhor noticia que poderia desejar ao nível do ecletismo, será confirmada a breve trecho. Mas, mais importante que o meu gosto pessoal, é que deverá ser feita JUSTIÇA e reconhecer a trabalho meritório que estes fervorosos sportinguistas do Hóquei em Patins alcançaram. Merecem um epílogo feliz, os dirigentes, os técnicos e os atletas do Hóquei.

Por fim, a boa nova que será talvez a menos surpreendente, mas que se reveste da maior importância: foi unânime entre os delegados, a constatação da urgente necessidade na construção de um Pavilhão Multiusos. Das várias recomendações (todas aprovadas) à volta deste assunto, prevaleceu a ideia de construir o nosso futuro pavilhão próximo do estádio, mesmo que para tal tenha que possuir menor capacidade de assistência (mas sempre superior a 2500 lugares) e de ter que se entrar em acordo com a Câmara Municipal de Lisboa, que permita a permuta de lotes e ajustamento no PDM… Não será tarefa fácil, mas haja vontade e este nosso desígnio de ANOS poderá passar, finalmente, do sonho à realidade!...

Mais que os nomes individuais (que nos merecem total reconhecimento e gratidão), fica o nome de duas modalidades triunfadoras: Atletismo e Hóquei em Patins. A primeira a confirmar-se como a grande abastecedora do nosso Museu, a segunda como exemplo de ressurgimento sustentado.

Mas, para além de nomes também sobressaíram alguns números. Eis, alguns deles: o SCP tinha conquistado até Dezembro de 2008 (hoje já são mais) 13.472 títulos; tem, actualmente 4767 atletas em representação de 30 modalidades diferentes, oito das quais, de forma autónoma! Agora digam-me lá, se o ecletismo, não faz parte do código genético deste clube! Como é possível por em causa toda esta história?

Muitas outras considerações poderia fazer, mas, dado o adiantado do texto e da hora, ficam para um próximo artigo…

SPORTING, SEMPRE!

2 comentários:

Leão de Alvalade disse...

Caro Virgilio:

Pese a leitura optimista do balanço que fazes do Congresso e que não oferece qualquer dúvida, para quem esteve do lado de fora as coisas têm uma leitura diversa.

A auto-exclusão de Bettencourt, não sendo analisada obviamente em Congresso, é um dos factos negativos mais relevantes. Pelo siginificado que tem a sua ausência pessoal e sobretudo por demonstrar que é necessário criar condições para que Sportinguistas com ideias e projectos (não me estou a referir agora em concreto a JEB) possam empenhar-se a fundo na sua realização sem verem interrompidas as fontes de sustento dos seus agregados familiares.

Neste momento os cargos directivos apenas estão acessíveis a sportinguistas abastados, reformados ou desempregados, ou como diz JEB, inconscientes.

Foi também lamentável que ao encerramento se tivessem sucedido declarações dispersas e informais aos órgãos de comunicação social, em vez de uma conferência de imprensa. Esta não me parece a melhor forma de dignificar o trabalho realizado e de o comunicar aos Sportinguistas espalhados pelo mundo. O pequeno texto no site do clube significa, em relação ao evento, falta de tempo ou o real valor do evento?
SL

Virgílio Bernardino disse...

LdA:

Apesar deste post representar uma primeira impressão, e não o balanço, deste importante Evento que constitui o Congresso Leonino, reitero que para mm o considero possitivo.


Tenho pena que, mais uma vez, o nosso clube nõ tenha conseguido passar através dos media a informação suficiente para os sócios e adeptos leoninos que não participaram no Congresso. Só naõ sei se não se esforçaram o suficiente, ou se a Comunicação Social se desinteressou por não ser o Congresso do clube querido deles...

Grande abraço!