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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Memories will prevail!...

Foto: Robson no SCP



Sempre, mas mesmo sempre simpatizei com Robson, incluindo o tempo em que treinou o fcPorto...

No SCP adorava-o... Carismático, simpático, alegre, conseguiu colocar a equipa do SCP a praticar um futebol que raramente conseguimos igualar. Bem à sua imagem! Foi uma injustiça inqualificável o que Sousa Cintra cometeu e tudo, para evitar que o FCPorto contratasse Carlos Queirós... Ficaram sem Queirós, mas ganharam uma Taça de Portugal, nesse mesmo ano numa final contra o SCP e treinados por quem??? Pois foi, pelo grande Bobby Robson... Depois, o sucesso no campeonato, iniciando um feito histórico nos nossos rivais…

É quando se compara o comportamento de Robson com o dos treinadores dos portistas que o antecederam e sucederam, que a dimensão humana de Robson transparece em toda a sua plenitude. A categoria de Robson enquanto pessoa superava ainda mais o nível já elevadíssimo enquanto profissional. Foi com um misto de alívio e alegria que o vi sair dali para o FCBarcelona!!!

Robson merecia ter sido o herói que acabaria com o nosso jejum…Mas o ‘homem das águas’ não deixou. Meteu água por todos os lados ao despedir um treinador que liderava o campeonato, que dava espectáculo e que os sportinguistas adoravam… Obrigado por tantos momentos de prazer, Mister!

‘Rest In Peace’, Sir Bobby Robson! Memories will prevail!...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para desanuviar…

Para desanuviar um pouco da abertura das 'hostilidades' que sempre constitui qualquer campanha e disputa eleitoral sugiro, que amanhã, passem pelo ‘A Norte de Alvalade’.

Lá poderão ler a entrevista com o herói de Antuérpia, o grande Morais, que com o cantinho mais famoso do futebol português permitiu que o Sporting conquistasse a Taça das Taças, único título europeu do Sporting em futebol.

Quarenta e cinco anos depois deste acontecimento poderão, entre as 18:00 e as 20:00 horas desta sexta-feira, elaborar as vossas questões ao Morais que vos responderá na caixa de comentários do ‘A Norte’.

Não percam esta oportunidade. Participem!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Será sina?

Este texto que o Gonçalo Sampaio da 'Centúria Leonina' descobriu, vem recuperar à minha memória algo que eu já tinha reflectido anteriormente. É o seguinte:

O SCP anda, realmente, desfasado no tempo...

Primeiro com os cinco violinos, cuja(s) equipa(s) dominava(m) a seu belo prazer em Portugal. Foram os anos dourados do SCP, mas só internamente porque aquelas grandes equipas antecederam a génese das Competições Europeias. Provavelmente, aquela geração de jogadores teria a capacidade de em épocas sucessivas lutar por conquistas internacionais. Seriam, sem dúvida, grandes candidatos a vencer competições internacionais... Se as houvesse. Isto porque creio o Sporting era, seguramente, uma das maiores potencias europeias à altura.

Décadas depois, quando a formação de talentos no Sporting estava a entrar na velocidade de cruzeiro, deu-se aquela bosta da 'lei Bosman' com as consequências por todos nós conhecidas: a globalização veio favorecer os clubes dos países mais ricos, que em vez de terem 3 ou 4 jogadores estrangeiros, têm 2 ou 3 planteis carregados deles. O SCP, que entretanto também se deixou enveredar por caminhos dúbios, também se deixou cair em tentações perigosas e viu-se inserido num contexto interno futebolístico cheio de alçapões, truques e armadilhas (leia-se fruta, chocolate, cafés, viagens, jogo de bastidores, tráfico de influências, etc, etc, etc…), foi perdendo capacidade desportiva por culpa própria e alheia e, consequentemente, foi-se arrastando para um estado financeiro lastimoso. Criava os talentos mas via-se obrigado a vender as pérolas ano, após ano, após ano…

Sem esta conjugação de factores, teríamos hoje em dia e sem sombra para qualquer dúvida, uma equipa fantástica, cheia de grandes valores que voltaria a dominar a seu belo prazer internamente e que, quiçá, daria cartas na Europa... Mas a verdade é que nunca o saberemos. O Destino, a História, a Modernidade, a evolução da Sociedade e do Desporto, enfim, o que lhe quiserem chamar, decorreu de forma completamente avessa e o nosso SCP vê-se, hoje em dia, sem os talentos que foi produzindo, sem títulos que nos encheriam a alma, empenhado até ao tutano e sem recursos financeiros para fazer face ao gigante passivo que possui...

Resumindo, esgadanha-se todo e vê-se em palpos de aranha para sobreviver... Ironias da vida de um clube… Será sina?

domingo, 27 de julho de 2008

Post 97...


Hoje era suposto sair o post n.º 101, ao invés do 97. Porque hoje é um dia peculiar… Como são, aliás, todos aqueles em que defrontamos os nossos ancestrais rivais e consequentemente a perspectiva de coleccionar mais uma saborosa vitória!

E porquê o post n.º 101? É a questão que se coloca… Dia 27 de Julho é, também especial porque foi precisamente há um ano que se iniciava este Blogue, com este post inicial.

Não seria engraçado fazer coincidir a data em que este blogue completa um ano de existência com essa quantidade de post’s? Mas a indisponibilidade umas vezes e, fica bem confessar, a preguicite aguda noutras impediu que tal acontecesse… Shame on you, boy

É verdade, foi numa 6.ª feira, dia 27 de Julho de 2007, que tudo começou! Parece que nestas alturas impõe-se sinalizar a data, fazer balanços e festejar.

Quanto a sinalizar a data, it’s done

O Balanço não pode deixar de ser muito positivo, pois foi muito mais o que recebi e aprendi do que aquilo que dei e transmiti. Por isso, a todos aqueles que frequentam este humilde espaço e que comigo partilharam e testemunharam momentos alegres, como os titulos conquistados, momentos inesquecíveis, como os 5-3 para a Taça, momentos menos bons, que não vale a pena agora recordar e também momentos de incerteza quanto ao que o futuro nos reserva, como as ‘determinações’ da A.G. de 28 de Maio, a todos o meu Bem Haja. Conto com todos vocês para continuarmos a cultivar, em conjunto, o nosso sportinguismo!

Finalmente, faltam os festejos. Esses, aguardo pacientemente para mais logo, pois que melhor festejos poderia desejar para esta efeméride que uma vitória no jogo de logo à noite?

Isso sim é que seria uma feliz coincidência!...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Foi assim, a festa em Castelo Branco






A qualidade das fotografias não é a melhor, mas o “artista” não sabe mais. De qualquer forma sempre transmitem uma ideia do que se passou no fim de tarde/noite do passado domingo pelas ruas desta cidade, invadida por fervorosos "leões" albicastrenses. Apesar do vento e frio que se fazia sentir...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Obviamente, tenho que passar a palavra...

"Este comentário pode parecer um pouco fora do contexto, no entanto tem a ver com aquilo que eu considero um crime e que foi provado em sede própria, refiro-me ao caso very light na final da taça de portugal no ano de 1996. Um criminoso (hoje a monte) retirou a vida a um adepto do nosso clube que apenas desejava vivenciar a festa do futebol e vitória do seu clube do coração na disputa dum trofeu que viriamos a perder, facto irrelevante quando estão em causa outros valores maiores como é o da vida humana e o respeito por esta. Este trágico acidente ocorreu no dia 18 de Maio de 1996,doze anos depois voltamos a jogar uma nova final da taça frente a um adversário diferente precisamente no dia 18 de Maio. Seria de bom tom no caso de vitória do nosso Sportng dedicar esta vitória à familia de Rui Mendes (salvo erro era o nome do senhor) nunca o esquecendo a ele e a outros "ruis mendes" adeptos de qualquer equipa de futebol. Que os dirigentes do sporting o relembrem e o homenageem, façamos com que ninguém se esqueça dele, só é preciso ir passando a palvara.Que o dia 18 de Maio de 2008 seja em tudo diferente do dia 18 de Maio de 1996. (O dia em que deixei de frequentar estádios de futebol e em que passei a dar mais valor à vida). "
Pedro Ferreira
Peço desculpa ao Pedro Ferreira, que não conheço, por me apropriar do comentário que deixou a um post do "Leão da Estrela". Mas, marcou-me de uma tal forma, que pela primeira vez senti uma necessidade incrivelmente premente em publicar algo que considero não merecer ficar "perdido" no meio de observações deixadas numa caixa de comentários... Mesmo que essa caixa pertença a um dos blogues mais participados da blogosfera leonina...
PARA MAIS TARDE RECORDAR E ... CONFIRMAR!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Épico!


Memorável e histórico… Faltam-me palavras para traduzir o derby de ontem à noite no nosso benquisto “Estádio José de Alvalade”. E mais ainda para adjectivar as emoções que, essas sim, sobram abundantemente pela minha mente, coração e alma leoninas. Para já, ocorre-me um termo que, apesar de definição abstracta, resume bem a panóplia de sentimentos que me vão reconfortando por estas horas: Felicidade! Como é bom ver, por fim, o povo verde e branco exultante. Já era tempo da nossa sofrida “tribo” ter uma alegria deste calibre. Já merecíamos um jogo assim, cheio de garra, querer e determinação. E com uma reviravolta homérica, apensa com um extra no final, naquele magnifico 5.º golo! Foi o culminar de uma mão cheia de golos e futebol electrizante em apenas pouco mais de 25-30 minutos… Verdadeiramente retemperadora, esta vitória já ninguém no-la tira!

Apesar desta história ter acabado bem, a verdade é que pior começo era difícil de suceder. Convém ser nobre quer na derrota quer, principalmente, na vitória e por isso não vou nunca aviltar os nossos adversários - até porque estava a desmerecer a nossa conquista -, mas, é caso para dizer, que desta feita até deu para dar 45 minutos e dois golos de avanço! Se ao intervalo, estava longe de perspectivar tamanha luminosidade, logo após tão carregadas trevas e equívocos no jogo que o Sporting Clube de Portugal apresentara, a verdade é que a forma como o jogo se alterou fazia antever o golo do Sporting. Era só uma questão de tempo... Depois, já se sabe que o mais difícil é entrar o primeiro... Mesmo após o empate a 3, pressentia que o jogo não chegaria ao prolongamento. Ontem, nada nem ninguém podia alterar o curso da história!

Os nossos “meninos” protagonizaram uma verdadeira batalha com contornos épicos. Digno de figurar e perdurar para sempre na memória daqueles que assistiram (que inveja!) ao vivo mas, também, naqueloutros que “via Tv” sofreram e festejaram que nem uns catraios perdidos de orgulho e rendidos aos seus “guerreiros”. Os “meninos guerreiros” do dia 16 de Abril de 2008 transformaram-se em heróis da nação leonina e transformaram-nos a nós todos, sportinguistas, em autenticas crianças plenas de puro contentamento.

De qualquer forma, nas batalhas ganhas colectivamente, há sempre alguns heróis que se destacam e se João Moutinho foi o “general” que comandou as tropas, tivemos a coadjuvá-lo o “recuscitado” Derlei, o “estratega” Izmailov, o “corajoso” YannicK, o “fulminante” Liedson e o “incrível” Vuck”! Todos eles em excelente plano.

Mais uma vez obrigado, rapazes! Afinal sempre recebi a prenda que mais desejava… E recebi a dobrar para compensar os dois dias de atraso e ávida espera com que me chegou às mãos!

It´s Not Over yet...

SPORTING C.P. - 5 ; S.L. BENFICA - 3


"I'll live for you

I'd die for you

Do what you want me to

I'll cry for you

My tears will show

That I can't let you go"

OBRIGADO, RAPAZES!

Ontem foram uns autênticos guerreiros...

domingo, 6 de abril de 2008

MEMÓRIAS 2 - Domingo de Sr.ª de Mércules


De regresso às minhas memórias e, já agora, a um carácter mais esotérico de que este blogue se tinha afastado nos últimos tempos, venho, hoje aqui - reparem na solenidade do discurso – descrever uma das minhas mais antigas crenças. A devoção à santa padroeira de Castelo Branco, a Nossa Senhora de Mércules!

Não julguem que sou uma criatura religiosa, pelo menos no sentido mais restrito do termo, porque apesar da educação católica com profissão de fé e crisma incluídos, a verdade é que essa fase foi-se esmorecendo e não sou neste momento praticante nem do catolicismo nem de outro “ismo” qualquer, com a excepção que confirma a regra do... Sportinguismo, claro! A minha devoção à santinha resulta de uma memória grata da minha infância… Na verdade a romaria e a festa de Nossa Sr.ª de Mércules devia marcar-me, não só porque é a romaria que se celebra na minha cidade todos os anos quinze dias após a Páscoa, mas, essencialmente, porque nasci numa terça-feira de Mércules, na 1.ª vez em que à celebração se aliou o feriado municipal! É caso para dizer que houve festa rija e fez-se feriado no dia do meu nascimento!

Mas não, a devoção resulta tão-somente de num já longínquo domingo de Sr.ª de Mércules dos inícios da década de 80, por lá se encontrar toda a família reunida à volta do recinto como mandava a tradição. Os adultos em redor do pic-nic e da romaria, as crianças dos carróceis, dos carrinhos de choque e do torrão… Toda? Não, nem toda. Ora o meu pai, tão lesto a festejar esta festa, resistia e não saia do seu Sinca 1100. E porquê? É que para além de tudo isso, o resto do nosso Portugal estava focado noutro evento: era domingo de Sporting – Benfica!

Assim que me apercebi desse facto, desloquei-me para perto do nosso carro. Eu, mais o meu irmão caçula levamos a bola de futebol a estrear connosco e ficamos à "coca" do relato que saia, agora num volume perceptível, do roufenho rádio do automóvel.

O meu pai sentado, com a porta aberta e as pernas para fora do carro a acompanhar com aparente atenção a jogatana que entretanto nós dois começáramos. Dir-se-ia que o relato que acompanhava era daquele duelo que o meu irmão, à baliza e eu, a avançado, protagonizávamos.

Às tantas o berro estridente do relator: “GOOOOLO” e nós largávamos tudo e corríamos desenfreadamente na direcção do clamor… “De quem foi, pai?” Ele sorria e deixava-nos ansiosamente na dúvida… Como se o seu sorriso não indiciasse já a resposta óbvia, que momentos depois finalmente chegava: “… GOLO DO SPORTING, MANUEL FERNANDES…” seguia-se a explosão de alegria e os festejos de dois autênticos leõezinhos à solta… Depois lá voltávamos ao nosso combate. Repetiu-se a correria por mais três vezes e só numa regressamos desapontados. Esgotaram-se os 90 minutos e com eles surgiu o resultado final de 3 a 1.

Resta dizer que na nossa peladinha particular o meu irmão era (contrariado) o frangueiro do Bento e eu o goleador Manuel Fernandes. Como sou mais velho é pois natural que o Galrinho tenha sofrido uma verdadeira hecatombe de golos e também ai o Sporting, clara e inequivocamente, saiu vencedor…

Mais tarde, quando seguia com maior atenção o fenómeno futebolístico, lembrei-me deste episódio e, como as coisas não corriam especialmente bem, adoptei uma imagem da Santa como amuleto…

São acontecimentos simples como estes que nos cunham de Sportinguismo e são recordações como estas que, por vezes, nos influem na superstição! Engraçado o futebol e tudo o que a ele associamos…

Assim sendo, caros amigos sportinguistas, esta tarde, em domingo de Sr.ª de Mércules, o meu prognóstico para o jogo que está praticamente a iniciar-se, só poderia ser este: 3 a 1 para o Sporting!

"Ermida da N. Sr.ª de Mércules"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A noite "estrelada" de Alvalade

Sporting - 2 ; F. C. Porto -0
Num longínquo dia de 1995 sai sozinho de Castelo Branco no Expresso da Rodoviária Nacional. Destino: o “velhinho” Estádio José de Alvalade para assistir ao clássico Sporting vs FCPorto. Mas mais que a ingrata solidão da jornada (que já tinha experimentado e se repetiria variadas vezes), o que me marcou foram os acontecimentos que se lhe seguiriam… Já assisti a muitos derbys ou clássicos ao vivo, uns sob o signo da alegria, outros nem por isso. Mas este fatídico dia ficou-me cravado na memória e é dos que tenho ainda mais presentes… Infelizmente, pelas piores razões… Na verdade tudo parecia correr mal, desde uma caixa multibanco na Av.ª de Roma que me chupou literalmente uma nota de 5 mocas no preciso momento em que lhe deitava a unha, até à espera interminável para saciar a fome numa fila de um qualquer restaurante, num almoço que se revelou uma autêntica frustração. Mais tarde surgiria um termo mais condizente com a qualidade daquele “repasto”: trash-food! Ora, quando cheguei às imediações do Estádio, eu, que como certamente já sabem relaciono logo todos os sinais, já levava uma fezada para o jogo que não era propriamente das melhores. Até que, num repente, as sirenes a anunciarem a chegada do autocarro do F. C. Porto, a correria louca da malta da Juventude Leonina que estava já dentro do Estádio, a cedência do varandim, a precipitação de dezenas de pessoas que caíam amontoando-se, a chuva de garrafas e outros objectos arremessados por gente das nossas cores na direcção do autocarro do Porto, cujo ódio as cegava e que, apesar dos gritos de repulsa e bom senso da maioria, não cessavam de arremessar e de dificultar a acção do Dr. Domingos (o médico do F. C. do Porto). Finalmente aflição que se seguiu, a percepção da gravidade da situação e a consumação da tragédia com a perda irreparável de duas gargantas leoninas que se fecharam e nunca mais puderam gritar com júbilo e a plenos pulmões: SPOOOOOORTING!!! A tudo isso assisti ao vivo e em directo, confundido com as doses de incredulidade sobre o que se passara à minha volta naquele vislumbre de "Twilight Zone"… Claro que ao entrar no Estádio o espírito, a mágoa, a angustia não podiam ser piores, consumando-se num jogo e resultado inglórios, contudo, coerentes com o clima previamente instalado… O golo do outro Domingos (o carrasco do F. C. do Porto) no único remate à nossa baliza, a falha do Emílio Peixe, o regresso solitário e pesaroso de comboio. Nem a boca do lampião na hora de comprar o ingresso na bilheteira da estação de Santa Apolónia faltou. Sem ânimo, deixei que se safasse sem um murro na corneta.

Ontem, ao invés, tudo correu de forma oposta. Para já, a única coincidência foi que, ao contrário do que vem sucedendo há largos anos, também saí de autocarro, mas desta vez, acompanhado de mais três dezenas de indomáveis leões... Como previra num comentário a antecipar o encontro na sequência deste post do Bulhão Pato no MÃOS AO AR, os Deuses do Olimpo, de Roma e das anciãs civilizações Maia, Azteca e Hindu (só faltou a Inca) estiveram mesmo do nosso lado, sendo que a caixa de Pandora pareceu abrir-se mesmo durante aquela 2.ª parte do jogo de ontem. Porém, desta vez, seguiu noutra direcção...

Quanto ao jogo em si, num Ambiente fantástico: um enorme Bruno Pereirinha, um Valente Izmailov! Realce ainda para a segurança do miúdo, dono da nossa baliza, Rui Patrício, a genica de Vukcevic e a qualidade indisfarçável de Liedson! Ao vivo nota-se ainda mais a diferença para os colegas de oficio…

Claro que a viagem de regresso foi tudo menos pesarosa, muito menos solitária e apesar de tardia, a hora de chegada proporcionou-me desta feita, sensações que espero prolongar e me permitam finalmente mitigar aqueles jogos de derrotas injustas na década de 90 e mais concretamente aquele fatídico dia de 1995…

Ah, só mais uma coisinha: agradecido, seu Helton! Muchas gracias Lucho.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

MEMÓRIAS 1 - A Origem…

Afinal, de onde é que me surgiu este sportinguismo todo? Será que não vinha já no código genético? Há verdadeiramente uma escolha racional? Tentar perceber e recordar o porquê de ser um sportinguista tão ferrenho afigurava-se-me difícil, para não dizer impossível de explicar... Claro que a razão é múltipla, mas teve que principiar nalgum momento, ou ocasião…Qual é, então, a minha primeira memória significativa do Sporting?
Pois bem, ao contrário do que possa parecer, não foi assim tão complicado… É certo que a circunstancia da minha família paterna ser, toda ela sem excepção, sportinguista, num facto que constitui para mim um proeminente orgulho, deverá ter constituido um grande peso sub-consciente na decisão.
Mas o momento da decisão, permanece, felizmente na minha memória. Acho que não é surpreendente, pois já António Damásio, grande neurocirurgião e cientista luso radicado nos E.U.A., defende na sua obra “O erro de Descastes” que a memória está associada indelevelmente à emoção…
De todas as emoções “leoninas” esta é seguramente a mais antiga relacionada com o Sporting. Esta é a “tal” da DECISÃO! Tinha cerca de 6 anos e fui “dar” comigo dentro de um pavilhão gimnodesportivo para assistir a um jogo em que de um lado estavam sete atletas equipados com aquelas camisolas, de leão rompante ao peito e listadas horizontalmente de verde e branco…! Do outro, estavam outros sete gajos quaisquer…
Pouco antes já o meu tio Zé me prometera que haveria de me levar a ver o Sporting: “O melhor clube do mundo!” Afirmava ele. Sim, já ouvira falar do Sporting, familiares a discutir, com maior ou menor ênfase sobre futebol, mas eu não dava realmente qualquer importância. As minhas ocupações até aí passavam mais pelas correrias e outras “brincadeiras”…à Carlos Lopes!
Mas retomando a estória, lembro-me de se ter apoderado de mim, sem razão aparente, um desejo desmedido de alcançar aquele pavilhão que já se avistava por entre os edifícios, enorme lá ao longe, onde, dizia o meu tio, “eu ia finalmente ver jogar os Leões!”. O alvoroço surdo que rugia do pavilhão e saía a aproximar-se, parecia confirmar a presença daqueles nobres felinos… A agitação, os comentários excitados e os passos acelerados que me cercavam, todos com o mesmo “fito” e no mesmo sentido... Recordo-me que não era só a curiosidade de partilhar um acontecimento diferente, foi pelo contrário um daqueles sentimentos premonitórios que por vezes nos assalta inexplicavelmente e se precipita na sensação de que algo vai mudar para sempre a partir daquela experiência…
A verdade é que foi tudo transcendental. Desde o ambiente, magnifico, as cantorias, os protestos, o colorido esmeralda, o entusiasmo…, foi isso: o entusiasmo em vários tons de verde daquela malta toda que me fascinou! Não sei, se assisti mais ao desafio que decorria dentro do ginásio se da diversão que me fascinava vindo da bancada. Lembro-me de ter chegado já com o jogo prestes a iniciar e o anfiteatro repleto… agora também do barulho ensurdecedor que se fazia ouvir! O meu tio não conseguiu dois lugares sentados seguidos e assim fiquei umas filas mais à frente, mesmo perto do início da escadaria que subíramos à entrada. Antes de se afastar para se sentar mais atrás, ainda me perguntou, à pressa: “Sabes quais é que são os do Sporting?”. O tom da voz e a expressão do rosto revelava uma preocupação típica de alguém que se tinha esquecido de comprovar uma informação indispensável…“Claro!”, respondi um pouco incrédulo com a pergunta. A minha intuição indicava-me a certeza que só apontava para aqueles das camisolas verde e brancas, aquelas é que são bonitas, pensava. “São os das riscas!”, gritei-lhe para que me pudesse ouvir sobre o ruído de fundo. Sorriu-me afirmativamente e afastou-se por entre a multidão. Volta e meia voltava-me para trás a atestar se ainda estava sentado no mesmo lugar…Estava, e com a atenção fixa nas andanças do jogo. Passado aqueles momentos de insegurança e depois da simpatia do senhor do lado que me sossegou: “He pá! Fica descansado que estás entre leões, que é tudo malta porreira!”, já só olhava para trás para me certificar do “tal” entusiasmo a cada golo dos verde e brancos e após o intervalo já gritava pelo Sporting, em uníssono com a multidão, incentivado pelo meu Tio que, entretanto, se sentara o meu lado.
Escusado é dizer que quando o jogo terminou, e depois de ter assistido à primeira das vitórias dos Leões, - e logo ao vivo - o Sporting tinha ganho, para sempre, muito mais que um simples jogo, tinha ganho o maior adepto de Castelo Branco e arredores, jurei! Mais um entre aquelas centenas de fervorosos Leões à solta, agora a caminho de casa e com a noite a envolver a cidade…! A magia, a alegria, as conversas e uma espécie de ambiente solidário e fraterno que se sentia no ar… Esta era a minha “tribo”!
Foi assim, que num jogo de andebol, decidi que queria definitivamente entrar nesta grande família leonina. Anos mais tarde, fins da década de 80, já adolescente, eram os pontapés na bola que me entusiasmavam, mas isso não me impediu de pagar um bilhete, "comprado" com o sacrifício dumas imperiais e idas à discoteca, e assistir a mais uma conquista, naquele mesmo pavilhão na final da Taça de Andebol contra o… Futebol Clube “Os Belenenses”!
Concluindo, não posso deixar de referir que é com exemplos destes que se pode observar a importância primordial que o ecletismo tem num clube como o nosso Sporting. É por isto, para além de muitas outras razões válidas, que eu o defenderei sempre.

sábado, 20 de outubro de 2007

Romancear o Sportinguismo!

Está para breve o início de uma nova rubrica no “Capicua101”. Este é um bloque de cariz Sportinguista, mas também marcadamente pessoal. Ora para fazer jus a estas duas premissas faz todo o sentido, que por aqui vá registando algumas das minhas memórias “leoninas” mais marcantes. Não considero que esta acção configure uma forma de exposição, é mais um exemplo de uma, entre muitas outras, vivências sportinguistas. A minha não será certamente mais rica e interessante que a de outros bons adeptos leoninos ao ponto de merecer ser partilhada com outrem…Apenas é diferente e é …a minha! Ora que porra! Bem, a dizer a verdadinha este é mesmo um gesto egoísta na medida em que esta actuação permite-me evocar episódios que recordo com especial prazer!
Para além da minha opinião sobre o quotidiano do Sporting este era também, e sem qualquer dúvida, um dos objectivos que tinha em mente…e que por manifesta falta de tempo não vinha concretizando. Ao fim de quase três meses de “post’s” e aproveitando a pausa da Bwin Liga para os jogos (bem sucedidos) da selecção, cá vai…
É pois, caros amigos, para meu deleite e interesse que aqui irão ficar algumas passagens de como o sportinguismo me assomou e se foi agigantando. Por isso desde já aconselho que estão à vontade para visitar o Centúria Leonina (ou outros blogues de referência leonina), e evitar passar por aqui com elevados riscos de apanhar aquilo que vulgarmente se denomina por “uma valente seca”… Quem avisa, amigo é!